
CLEMENS, EPISCOPVS
SERVVS SERVORVM DEI
Ad Perpetuam Memoriam Dei
TESTAMENTUM PONTIFICIALE
PELO QUAL DETERMINO MEU DESEJO A PARTIR DESTE MUNDO TERRENO
Aos diletos filhos espalhados pelo mundo, saúde e benção no Senhor.
"Eu, Clemente V, Bispo de Roma, Servo dos Servos de Deus, consciente da gravidade de minha enfermidade e da proximidade de minha partida para a Casa do Pai, movido pela fé em Cristo Ressuscitado e pela solicitude pastoral para com a Igreja, deixo por escrito minha última vontade e disposições solenes para os momentos que seguirão minha morte.
No primeiro momento, ao cair da noite após o meu falecimento, ordeno que se realize um velório privado dentro da Basílica de Santa Maria Maior, com suas portas trancadas, estando presentes apenas as mais altas autoridades da Igreja, o Cardeal Camerlengo, o Decano e o Vice-Decano do Colégio Cardinalício.
No segundo dia, determino que meu corpo seja trasladado solenemente para a Basílica de São Pedro, onde se iniciará o velório público. No terceiro dia, à noite, após as 21 horas, deverá realizar-se o rito exequial público na Basílica Vaticana, seguido do sepultamento no local onde atualmente repousa o Papa Julius I Magnus. Este, por sua vez, deverá ser dignamente trasladado para a Basílica de Santa Maria Maior.
Minha lápide deverá conter, em letras de ouro puro, a inscrição: In aeternam memoriam Sanctitatis Clementis V, Summi Pontificis Ecclesiae. Meu corpo será preparado com todos os paramentos romanos do rito antigo na cor vermelha, conforme a tradição, e as exéquias deverão ser celebradas no rito tridentino com a mais alta solenidade.
Com o término do velório, iniciar-se-á o tempo de Sé Vacante, que deverá durar exatamente sete dias, nem mais nem menos. Durante estes dias, deverão realizar-se as Congregações Gerais do Colégio Cardinalício. Na Basílica de São Pedro, os cantos gregorianos deverão ser de máxima solenidade, rezando-se ofícios fúnebres e missas com paramentos pretos. A cor vermelha será utilizada apenas nos ritos oficiais com o corpo do Romano Pontífice. Proíbo a celebração de missas nos altares laterais da Basílica Vaticana, devendo-se celebrar unicamente no Altar da Cátedra e as exéquias no altar central, sobre o túmulo do Apóstolo Pedro.
Além disso, determino que, por ocasião da celebração de um ano/mês do meu falecimento, o meu corpo seja piedosamente translado para a Arquibasílica de São João de Latrão, Mãe e Cabeça de todas as Igrejas da Cidade e do Mundo, onde deverá receber sepultura definitiva no túmulo situado abaixo do altar central, a fim de que, mesmo após a morte, eu permaneça unido à Sé que é sinal e fundamento da comunhão eclesial.
Revogo a autoridade do Camerlengo e do Decano para reabilitar ou nomear cardeais de modo extraordinário. Estarão excomungados todos aqueles que pedirem renúncia ou abandonarem nossa comunhão e atividade. Que sejam considerados apenas cardeais ativos para a eleição do novo Pontífice, e que este seja coroado conforme a tradição, com a tiara de três coroas e receba o Hierofante segundo o rito restaurado a partir do Papa Bento IV que eu mesmo decreto em vida como Singularis et validus.
Rogo à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, que interceda junto ao Senhor por minha alma e pela Igreja. Entrego-me confiante à misericórdia de Cristo, na esperança da ressurreição.
Dado em Roma, na Basílica de São Pedro, no ano Jubilar da encarnação de dois mil e vinte e cinco, no décimo mês do meu pontificado, no terceiro dia de minha internação e no último da minha vida terrena.
+ Clemens, Pp V
Pontifex Maximvs